MANIFESTO

 

Para nós que compomos o Observatório Cearense da Cultura Alimentar (OCCA), é importante interferir nas dinâmicas da cultura alimentar cearense, enfatizando sua dimensão regional, de base tradicional e popular. O objetivo principal é conhecer e fortalecer o patrimônio, a memória e a identidade do povo desse estado, para consolidar a imagem do Ceará a partir de sua cultura alimentar e gastronomia.

Na prática, acreditamos que o conhecimento sistematizado e eticamente comprometido tem papel fundamental na manutenção da vida presente em cada território. Defendemos também e, principalmente, o investimento em formação na área da alimentação, preparando recursos humanos que se unam a outras disciplinas para mapear a cultura alimentar cearense, contribuindo para o georeferenciamento da produção de insumos e para a cartografia social de práticas de cultivo, colheita, difusão e consumo dos alimentos.

Questionar as escolhas que pautam a produção e transformação de alimentos é necessário para que o Ceará contribua para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e as metas do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas (2015), respeitando os Limites do Planeta. O desafio de produzir, de forma sustentável para a crescente população mundial exige novas concepções sobre como nos alimentamos e por isso faz-se urgente uma mudança de modos de vida e de hábitos culturais.

Para fortalecer a compreensão da importância de cadeias mais curtas para a cultura alimentar e a gastronomia cearense, escolhemos como tarefa a constituição de parcerias locais, nacionais e internacionais em pesquisa, envolvendo a produção, comercialização e consumo de alimentos, potencializando aspectos ligados à economia (conhecimento e inovação), à cultura (memória e patrimônio), à segurança e soberania alimentar e à sustentabilidade (saúde e sistemas alimentares alternativos). Essa tarefa é tão necessária quanto atuar em todos os elos da cadeia alimentar – combater o desperdício, valorizar a formação para uma gastronomia sustentável, adequar a legislação sanitária e facilitar o acesso à alimentação de qualidade.

Estamos engajados no debate sobre novas práticas gastronômicas, que englobem toda a cadeia produtiva de alimentos, a fim de promover a saúde do planeta e das pessoas – incluindo a prevenção de doenças ligadas à dieta. Por meio de ações cooperadas e articuladas em rede, reafirmamos nossa disposição para colaborar na identificação de problemas e de soluções no que concerne à cultura alimentar e à gastronomia cearense, potencializando também oportunidades de negócios sustentáveis e qualificando talentos para atuação consciente na cadeia gastronômica.

Cremos que o debate é elemento central para valorizar a pluralidade de culturas alimentares; envolver instituições públicas e particulares, negócios sustentáveis, pesquisadores, comunidades tradicionais (indígenas, quilombolas, rurais), e experiências urbanas; valorizar tradições em hábitos alimentares que envolvam o reconhecimento de memórias e o compartilhamento de experiências locais relacionadas à diversidade de dietas; identificar e ressaltar o papel da comida nos costumes e tradições, e na composição dos valores e identidade de cada comunidade.

Defendemos ainda a dimensão política de projetos de Alimentação Cidadã e de soberania alimentar, aproximando a cultura gastronômica tradicional e a inovação no âmbito da alimentação escolar. Entendemos que nesse contexto as disciplinas que lidam com o fenômeno alimentar podem converter-se claramente em ferramentas de impacto social, fornecendo informações sobre a educação alimentar e o exercício da atividade profissional de cozinheiros, gastrônomos e chefs de cozinha. Convergimos com a perspectiva que afirma que migrar para o setor de alimentação sustentável, além de um bom negócio financeiro, aponta soluções de impacto no enfrentamento das mudanças climáticas e da saúde planetária.

Por fim, compreendemos que contribuir para a elaboração de políticas públicas e a implantação daquelas que já existem, impacta positivamente numa agenda sustentável, conjuntamente com o fomento à inovação tecnológica e incentivo a pesquisas. Por isso, buscamos reunir instituições de pesquisas, órgãos públicos e entidades privadas, engajadas em experiências concretas ligadas à gastronomia e à agroecologia, a fim de traçar caminhos de desenvolvimento alternativo ao modelo do agronegócio, associado ao emprego de agrotóxicos e manipulação genética de sementes, rumo à definição de uma alimentação sustentável para as pessoas e para o planeta.

Observatório Cearense da Cultura Alimentar

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