Programa permanente de reflexão sobre os elos que ligam a cultura alimentar e a gastronomia cearense a dinâmicas nacionais e
internacionais, conduzido mensalmente por convidados do Brasil e de países  estrangeiros.

2017

edição com jorge santiago - nutrir e alimentar na umbanda

O antropólogo Jorge Santiago, da Université Lumière Lyon 2 (França), participou da reunião semanal do grupo de estudos em cultura alimentar, mantido pelo OCCA, para conversar sobre o seu livro Nutrir e alimentar na umbanda - Oferendas, cuidados e partilhas (Paris, Editions des Archives Contemporaines. 2016).


Escrito em parceria com a também antropóloga Marina Rougeon, a obra aborda o papel fundamental que as experiências nutritivas e as práticas alimentares desempenham no universo da Umbanda. A comida tem estado presente em quase todos os rituais, tanto na
realização de oferendas sagradas às divindades e entidades espirituais, quanto nos banquetes, festas, cerimônias ou na aplicação de cuidados terapêuticos nos terreiros.


Durante os rituais, líderes de culto, iniciados, fiéis e visitantes devem "alimentar" as entidades no momento em que elas "baixam", desenvolvendo toda uma competência acerca da dieta alimentar que liga os seres humanos aos espíritos. Este livro se propõe a analisar os fenômenos culturais da alimentação, da oferenda e das "obrigações", a partir de pesquisas realizadas no contexto de transnacionalização da Umbanda em solo europeu. Estabelecer uma ligação entre a noção de nutrição e as oferendas revela uma espécie de código que atravessa as dimensões sociais, econômicas, culturais, políticas e estéticas a partir do alimento
ritual.

2018

peter rosset - visão alternativa para o sistema alimentar 

Em face da crise social no campo, aliada à crise alimentar global e à fragilidade do conceito de "segurança alimentar", levaram os movimentos sociais a propor uma chave conceitual alternativa para pensar o sistema alimentar – aquela propiciada
pela noção de "soberania alimentar". Esta argumenta que alimentar o povo de uma nação é uma questão de segurança nacional – de soberania, se quisermos. Se, para a próxima refeição, a população de um país depender dos caprichos da economia
global, da boa vontade de uma superpotência de não usar o alimento como arma, da imprevisibilidade e do alto custo de transportes a longas distâncias, então esse país não está seguro, nem no sentido de segurança nacional nem de segurança
alimentar.

A soberania alimentar, portanto, vai além do conceito de segurança alimentar, que tem sido destituído de significado real. Segurança alimentar significa que toda criança, mulher e homem precisam estar certos de ter o suficiente para comer todos
os dias, mas o conceito não diz nada sobre de onde esse alimento vem ou como é produzido, nem por quem.


Porém, segundo Peter Rosset, as importações volumosas de alimento barato e subsidiado arruinaram os campesinatos locais, expulsando-os da terra. Incham as fileiras dos famintos, e sua segurança alimentar é colocada nas mãos da economia monetária, na medida em que migram para favelas urbanas onde não conseguem encontrar empregos com salários para garantir a sobrevivência. Assim, para atingir uma segurança alimentar genuína, as pessoas em áreas rurais precisam ter acesso à terra produtiva e obter preços para suas colheitas que garantam uma
vida digna

saïda kermadi - marrocos, natureza árida: como desenvolver?

Com o tema Marrocos, natureza árida: como desenvolver? a pesquisadora Saïda Kermadi, geógrafa vinculada à Université Lumière Lyon 2 (França), integra a programação do Rodas de Conversa, dando sequência à parceria firmada entre o Museu da Indústria e o Observatório Cearense da Cultura Alimentar (OCCA).


Especialista em Climatologia e análise de imagens de satélite, a pesquisadora propôs ao OCCA uma reflexão que teve como ponto de partida a caracterização dos aspectos naturais e culturais da região de Souss-Massa, no Marrocos (África), seguida do estabelecimento de convergências entre aquela realidade e os desafios enfrentados pela população nordestina, no que se refere às condições climáticas
do semiárido brasileiro.


Ela lembra que os marroquinos encontraram no trabalho cooperado e na valorização de produtos locais alternativas ao desenvolvimento econômico e social da região. Neste sentido, suas pesquisas sobre a criação de estratégias de desenvolvimento
territorial economicamente sustentáveis apontam o sucesso dos processos desencadeados pela industrialização do óleo de argan.


Por suas propriedades, os produtos da argânia, planta específica da região, apresenta aplicações medicinais, cosméticas e culinárias. Para as populações nordestinas que habitam o semiárido, a exemplaridade da experiência marroquina consiste principalmente na iniciativa conduzida e mantida pelo trabalho cooperado e
artesanal que dinamiza a cadeia de pequenos produtores que extraem, beneficiam e comercializam o óleo de argan.

maria de fátima farias - reflexões sobre a agência do queijo coalho

Em parceria com o SENAC-CE, no dia 08 de maio de 2018, Fátima Farias, doutoranda em Sociologia na Universidade Federal do Ceará (UFC), apresentou sua tese (em curso) ao público convidado pelo Observatório. Com o título: CULTURA MATERIAL E REPUTAÇÃO DA COMIDA: REFLEXÕES SOBRE A AGÊNCIA DO QUEIJO COALHO, a
doutoranda participou de uma mudança significativa. A partir desta edição o programa “Roda de Conversa”, mantido pelo OCCA desde 2016, passa a ser denominado “DEBATES OCCA”, afirmando seu compromisso com a construção do pensamento elaborado pela troca de ideias.

bárbara venturini e juliana miraldi - as fronteiras da arte

O OCCA e o Curso de Turismo do Instituto Federal do Ceará Campus Fortaleza (IFCE) realizaram, em parceria, mais uma edição do Debates Occa. Desta vez, com o tema As fronteiras da arte: estratégias da gastronomia e da moda fast-fashion na arte contemporânea.

O debate foi conduzido pelas pesquisadoras Juliana Miraldi, doutora em Sociologia pela Univesidade Estadual de Campinas (Unicamp), e Bárbara Venturini, mestranda em Sociologia na mesma instituição, ambas com amplas atividades de pesquisas voltadas, principalmente, para a sociologia das artes, sociologia da cultura e sociologia da moda. Na pesquisa, Miraldi e Venturini debatem como a moda e a gastronomia adentram as fronteiras da arte.

“Nós analisamos como esses dois fenômenos sociais, a fast fashion e a gastronomia, definidos por serem objetos reprodutíveis e relativamente acessíveis, conseguem adentrar o campo das artes, que são espaços marcados por elementos de unicidade, originalidade e inacessibilidade”, explica Miraldi. Para isso, as pesquisadoras lançam mão da análise de duas situações específicas: “o acordo que a Riachuelo fez com o Masp (Museu de Arte de São Paulo) para uma exposição; e também a obra Restauro, que ficou exposta na Bienal de São Paulo, um restaurante que servia comidas veganas com um interesse social por detrás, valorizando produtores locais”, pontua.

gustavo guterman - os rumos da gastronomia

O Occa e o professor carioca Gustavo Guterman realizaram, em julho, este evento gratuito na sede do Observatório de Fortaleza, com a presença de estudantes, pesquisadores e profissionais da área preocupados com as questões relacionadas ao mercado de trabalho, formação acadêmica, qualidade de vida e outros temas.


Em sua fala, Guterman abordou os temas de maneira sistêmica, considerando as ligações das diversas cadeias da cultura alimentar. O professor tratou também das questões que envolvem a força de trabalho no campo, o uso de agrotóxicos, a importância da agricultura familiar e a responsabilidade de cozinheiros e cozinheiras nas relações da sociedade com a comida.

dinâmicas alimentares transnacionais

Realizada em parceria com a UniChristus, este Debates Occa tratou da pesquisa de Doutorado que Marie Sigrist desenvolve no Instituto Paul Bocuse, na França, que tem como interesse principal a alimentação dos imigrantes brasileiros na cidade de Lyon.

 

“Quais são as práticas alimentares dos imigrantes brasileiros na França? Como esses últimos operam as representações alimentares de ambos países?”, são perguntas que sua pesquisa procura responder. “Desde os anos 2000, percebe-se um aumento dos fluxos migratórios entre Brasil e França. Estes processos de migração têm como consequência a intensificação dos contatos entre as populações de cada país. Ao longo da instalação no país de destino, os imigrantes procedem reconfigurações nas suas práticas e representações alimentares. Para “matar a saudade”, redes de imigrantes e meios de abastecimento alimentares vinculados ao país de origem se estruturam para facilitar a instalação no país de destino”, explica a pesquisadora.

No Debates Occa, Sigrist, que fala português, descreveu a metodologia qualitativa utilizada até então, exemplicando-a com alguns dados de campo obtidos entre setembro de 2018 e fevereiro de 2019 na cidade de Lyon. 

Em agosto de 2019, a pesquisadora e professora Mattu Macedo (UFC) apresentou sua dissertação de mestrado O Bolo de Casamento, na última edição do Debates Occa daquele ano. Macedo discorreu sobre as conclusões de sua pesquisa a respeito da história, sentido e importância deste tradicional bolo para a cultura brasileira. A pesquisadora investigou a trajetória deste bolo comemorativo em outras culturas, sobretudo europeias, para ajudar a explicar a tradição brasileira.

Observatório Cearense da Cultura Alimentar

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